domingo, 15 de maio de 2011

Homossexualidade

Eu sei que todos estão falando disso esses dias devido à união homoafetiva. Primeiramente, parabéns, tanto aos homossexuais, que estão a tantos anos lutando para conquistar este direito e depois aos parlamentares que aprovaram tal medida. Como nada é perfeito, sempre há alguém para discordar. Eu resolvi escrever porque duas coisas andam me incomodando ultimamente:


a) Pontos de vista pouco fundamentados.
Quando alguém fala pra mim que "ser gay é promiscuidade" ou "falta de presença da família", eu fico meio em dúvida se deveria ou não responder, principalmente, pela falta de decoro em classificar um comportamento que é natural em mais de 500 espécies (http://pt.wikipedia.org/wiki/Homossexualidade_no_reino_animal) como "promiscuidade". Ótimo. Agora a biologia é "promíscua"? "Ok. Mas só um macho e uma fêmea podem gerar descendentes". Existem machos e fêmeas que não conseguem gerar descendentes, vamos condená-los pela inaptidão reprodutiva? Vamos condenar as plantas por serem hermafroditas? Vamos condenar as bactérias pela meiose? 


Falta de presença da família? Na minha opinião uma boa família aceitaria seu filho ou filha do jeito que ele  é. E sendo assim "presente", saberia muito bem lidar com as dúvidas e incertezas de um jovem. Não é fácil enfrentar uma sociedade a qual nem todos estão preparados para lidar com as diferenças.


b) Medidas intolerantes
Como assim o "kit gay" do MEC vai estimular a homossexualidade entre os jovens? Se eu distribuo panfletos informando sobre drogas, gravidez e outros temas nas escolas eu estou estimulando a gravidez na adolescência e as drogas? Sempre achei que esses panfletos fossem para informar, afinal de contas, como os jovens estarão preparados para lidar com o homossexualismo se não tiverem noção do assunto?
Qual a solução? Vamos distribuir panfletos "anti-gay"(http://g1.globo.com/politica/noticia/2011/05/bolsonaro-manda-distribuir-panfletos-antigay-no-rio.html), claro! Agora vamos deixar os jovens ainda mais confusos. Parabéns, mundo, este é o caminho certo. (isso é sarcasmo, ok?)


Você é heterossexual, porque fica aí se importando com isso? Não muda nada em sua vida...



Tá vendo este planeta? Eu não moro aqui sozinha! Poderia simplesmente fingir que sim, mas o egoísmo não funciona para mim. A intolerância também não. Exigir que os direitos dos outros sejam cumpridos com o mesmo rigor que os seus não é impertinência, é cidadania.


Boa semana a todos :D

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Eles não podiam deixar de se meter

Sempre que acontece qualquer coisa de grande escala, líderes políticos, econômicos e religiosos mundiais se apressam em emitir suas opiniões acerca do fato e, de certa forma, em orientar seus seguidores de como reagir diante do mesmo.


O problema é que, muitas vezes, tais opiniões e orientações são carregadas de hipocrisia e preconceito, motivo esse pelo qual criei esta espécie de sessão do blog, chamada "Eles não podiam deixar de se meter". Aqui darei exemplos dessas inspiradas atitudes.


As duas primeiras, como não podiam deixar de ser, vão para os católicos, e sua eterna falta de bom senso.


Eles não podiam deixar de se meter (I)


E os senhores nunca espalharam divisão e ódio, muito menos a morte, né senhores católicos? (Aos desavisados: Cruzadas e Inquisição são ótimos exemplos)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

WaSatch Evolution, a cerveja Evolucionista

Me encontro, no momento em que vos escrevo, no estado de Utah, nos EUA.

O Estado de Utah é conhecido por suas belas paisagens, sua herança indígena e por ser um dos estados mais fundamentalistas dos EUA, lar dos Mórmons (aqueles que vendem bíblias de porta em porta, juntos das testemunhas de jeová). 



E foi num dos locais mais fundamentalistas do mundo ocidental que encontrei a maior prova da força do secularismo. Almoçando em um pequeno rancho no meio das montanhas, minha avó pediu uma cerveja. 
Eu esperava algo comum como uma Budweiser ou algo assim, mas o garçom nos entregou uma cerveja chamada "WaSatch Evolution Ale".


O rótulo da cerveja possuía uma imagem alusiva à evolução das espécies e, no fundo desta, uma foto de Charles Darwin. Ao lado, uma pequena insígnia, dizendo "Criada em 27 dias, não 7 - Aprovada por Darwin".


Ainda mais curioso, fui ler a parte de trás do rótulo da garrafa. E, em tradução livre, esta dizia: 
" Evolution Amber Ale*: Esta cerveja foi parte de nosso protesto contra a tentativa do poder legislativo de Utah de tornar obrigatório o ensino de Design Inteligente nas escolas públicas. Nós achamos que Igreja e Estado devem ser mantidos separados, ATÉ EM UTAH...."

Ver esta cerveja (e não se engane, eu guardei a garrafa) me fez ver que podemos, sim, mostrar nossa cara de forma criativa a inovadora. E, "for the record", a Evolution Amber Ale ficou em segundo lugar na competição mundial de cerveja (eu provei, é de fato muito boa). 
Boa sorte aos poucos e bons secularistas de Utah, EUA.

* Amber Ale é um tipo de cerveja, assim como Lager e Pilsen (a mais comum no Brasil)

sábado, 26 de março de 2011

Marcelo Gleiser: ciência e religião.

Parece notícia velha, mas a ciência e o ensino da ciência continuam sob ataque. Por exemplo, uma busca na internet com as palavras "criacionismo", "escolas" e "Brasil" leva ao portal www.brasilescola.com. Lá, há um texto, de Rainer Sousa, da Equipe Brasil Escola, que discute a origem do homem.

O autor afirma que o assunto é "um amplo debate, no qual filosofia, religião e ciência entram em cena para construir diferentes concepções sobre a existência da vida". 

No final, diz: "sendo um tema polêmico e inacabado, a origem do homem ainda será uma questão capaz de se desdobrar em outros debates. Cabe a cada um adotar, por critérios pessoais, a corrente explicativa que lhe parece plausível". 

"Critérios pessoais" para decidir sobre a origem do homem? A religião como "corrente explicativa" sobre um tema científico, amplamente discutido e comprovado, dos fósseis à análise genética? 

Como é possível essa afirmação de um educador, em pleno século 21, num portal que leva o nome do nosso país e se dedica ao ensino? 

Existem inúmeros exemplos da tentativa, às vezes vitoriosa, da infiltração de noções criacionistas no currículo escolar. Claro, se o criacionismo fosse estudado como fenômeno cultural, não haveria qualquer problema. Mas alçá-lo ao nível de teoria científica deturpa o sentido do que é ciência e de seu ensino. 

Um país que não sabe o que é ciência está condenado a retornar ao obscurantismo medieval. Enquanto outros países estão trabalhando para educar seus jovens sobre a importância da ciência, aqui vemos uma corrente contrária, que parece não perceber que a ciência e as suas aplicações tecnológicas determinam, em grande parte, o sucesso de uma nação. 

Muitos dirão que são contra a ciência apenas quando ela vai de encontro à fé. Tomam antibióticos, mas rejeitam a teoria da evolução. 

Se soubessem que o uso de antibióticos, que aumenta as chances de que os germes criem imunidade por mutações genéticas, é uma ilustração concreta da teoria da evolução, talvez mudassem de ideia. Ou não. Nem o melhor professor pode ensinar quem não quer aprender. 

Os cientistas precisam se engajar mais e em maior número na causa da educação do público em geral. 

Mas devemos ter cuidado em como apresentar a ciência, sem fazê-la dona da verdade. Devemos celebrar os seus feitos, mas ser francos sobre suas limitações e desafios (a teoria da evolução não é um deles!) Não devemos usar a ciência como arma contra a religião, pois estaríamos transformando-a numa religião também. Achados científicos são postos em dúvida e teorias "aceitas" são suplantadas. 

Bem melhor é explicar que a ciência cria conhecimento por meio de um processo de tentativa e erro, baseado na verificação constante por grupos distintos que realizam experimentos para comprovar ou não as várias hipóteses propostas. 

Teorias surgem quando as existentes não explicam novas descobertas. Existe drama e beleza nessa empreitada, na luta para compreender o mundo em que vivemos. Ignorar o que já sabemos é denegrir a história da civilização. O problema não é não saber. O problema é não querer saber. É aí que ignorância vira tragédia. 



MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro "Criação Imperfeita"


Este texto foi retirado do blog Conteúdo Livre.
E você, concorda ou não com a opinião do autor?

quinta-feira, 24 de março de 2011

O núcleo do problema: radiação

Na verdade, o que há de mais perigoso na radiação é a quantidade de gente pouco informada que fala sobre o assunto. E passa adiante, fazendo a informação errada ficar mais popular ainda.

Primeiro é importante saber algumas diferenças sutis:

A radiação é, na verdade, nada mais que propagação de energia. O Sol, por exemplo, produz certa radiação, e acho que ninguém quer acabar com ele por causa disso. 


A radioatividade é o fenômeno pelo qual os elementos produzem a radiação, ou seja, propagam energia. Ela se manifesta natural ou artificialmente. Quando ela é natural, o elemento químico é chamado radioativo.


A radioatividade que as pessoas dizem ser “ruim” é a artificial, ela é provocada/induzida pelo ser humano e causou polêmica principalmente por aparecer quase sempre associada na mídia ao assunto catástrofe. 


Inventaram o avião com o objetivo de transportar e ele foi usado na guerra. Planck e Einstein desenvolveram a mecânica quântica com o objetivo de entender a natureza e seus conhecimento foram usados para fazer a bomba atômica e destruir a natureza. O ser humano e suas tecnologias, sempre cheias de paradoxos.

A verdade é que como todo meio de energia, ela tem suas desvantagens ambientais, mas praticamente todas as outras formas de obtenção de energia também apresentam problemas, a diferença principal é a divulgação: anunciar que mais uma hidrelétrica está sendo construída e matará milhares de espécies não vende tanto jornal como anunciar que o mundo pode possivelmente acabar - quando na verdade é mais provável que o ser humano acabe com o mundo pelo viés sócio-político-religioso do que nuclear – dizer que uma nave espacial se desintegrou e matou vinte astronautas é bem mais chamativo que anunciar a quantidade de mortos por dia nas rodovias.

A radiação ajuda pacientes no mundo todo a tratar o câncer – através da radioterapia – e é usada para a esterilização de lixo e dejetos orgânicos, tratamento de esgoto e de lixo hospitalar. Os danos causados pelas usinas são imensos, mas o derramamento de óleo no Golfo do México poluiu e matou milhares de vidas que habitavam aquelas águas e ninguém quis parar a extração do petróleo.

A vida humana não é mais valiosa que a das outras espécies, simplesmente é tratada com mais deferência porque estamos, infelizmente, em maioria numérica com relação à soberba.

A energia nuclear pode conviver com o meio ambiente. A irracionalidade não.






Eco-hipocrisia

Está se aproximando o dia da Hora do Planeta, um movimento que pretende apagar as luzes de diversos lugares durante 60 minutos para, de acordo com os organizadores (a ONG WWF), mobilizar a sociedade em torno da causa do aquecimento global.


A iniciativa é louvável, não fosse um detalhe: Falhou miseravelmente. As pessoas que deveriam ser conscientizadas, em sua maioria, não fazem nada pelo meio ambiente durante todo o resto do ano. As pequenas atitudes que podem ser tomadas sendo respeitado o bom senso (o que não inclui, como sugeriram no twitter, reutilizar a água da máquina de lavar) normalmente não são tomadas por essas pessoas. 


Isso quer dizer que a Hora do Planeta se tornou uma espécie de mea culpa que as pessoas fazem, sendo o raciocínio o seguinte: "Eu apago minhas luzes por uma hora, estou colaborando".


"Ah Guto, mas até os governos apagam as luzes"


Os governos, esses antros de boa vontade, apagam as luzes por que é extremamente populista afirmar que eles 'apagam as luzes pelo planeta'. Com um detalhe importante: Eles só apagam as luzes de monumentos e etc., que chamam a atenção. Aposto um bombom como o Palácio do planalto vai estar aceso e com os ar-condicionados ligados durante a Hora do Planeta.


Se eu perder a aposta e você viu essa postagem (e, claro, tiver como provar que o Palácio estava apagado) me mande um e-mail com seu nome e endereço que o bombom chegará.

Back In Black

Depois de um certo tempo abandonado, o É Muito Complexo voltou às postagens.
Agora com a ajuda de Raizchan, autora do blog.


O foco do blog, que anteriormente visava assuntos de ordem principalmente religiosa, passa a ser todo e qualquer tema que possa vir a gerar um bom debate, com argumentos e contra-argumentos.


E se você achar qualquer assunto muito complexo, fique tranquilo... nada é muito complexo, só trabalhoso de pensar.