quinta-feira, 24 de março de 2011

O núcleo do problema: radiação

Na verdade, o que há de mais perigoso na radiação é a quantidade de gente pouco informada que fala sobre o assunto. E passa adiante, fazendo a informação errada ficar mais popular ainda.

Primeiro é importante saber algumas diferenças sutis:

A radiação é, na verdade, nada mais que propagação de energia. O Sol, por exemplo, produz certa radiação, e acho que ninguém quer acabar com ele por causa disso. 


A radioatividade é o fenômeno pelo qual os elementos produzem a radiação, ou seja, propagam energia. Ela se manifesta natural ou artificialmente. Quando ela é natural, o elemento químico é chamado radioativo.


A radioatividade que as pessoas dizem ser “ruim” é a artificial, ela é provocada/induzida pelo ser humano e causou polêmica principalmente por aparecer quase sempre associada na mídia ao assunto catástrofe. 


Inventaram o avião com o objetivo de transportar e ele foi usado na guerra. Planck e Einstein desenvolveram a mecânica quântica com o objetivo de entender a natureza e seus conhecimento foram usados para fazer a bomba atômica e destruir a natureza. O ser humano e suas tecnologias, sempre cheias de paradoxos.

A verdade é que como todo meio de energia, ela tem suas desvantagens ambientais, mas praticamente todas as outras formas de obtenção de energia também apresentam problemas, a diferença principal é a divulgação: anunciar que mais uma hidrelétrica está sendo construída e matará milhares de espécies não vende tanto jornal como anunciar que o mundo pode possivelmente acabar - quando na verdade é mais provável que o ser humano acabe com o mundo pelo viés sócio-político-religioso do que nuclear – dizer que uma nave espacial se desintegrou e matou vinte astronautas é bem mais chamativo que anunciar a quantidade de mortos por dia nas rodovias.

A radiação ajuda pacientes no mundo todo a tratar o câncer – através da radioterapia – e é usada para a esterilização de lixo e dejetos orgânicos, tratamento de esgoto e de lixo hospitalar. Os danos causados pelas usinas são imensos, mas o derramamento de óleo no Golfo do México poluiu e matou milhares de vidas que habitavam aquelas águas e ninguém quis parar a extração do petróleo.

A vida humana não é mais valiosa que a das outras espécies, simplesmente é tratada com mais deferência porque estamos, infelizmente, em maioria numérica com relação à soberba.

A energia nuclear pode conviver com o meio ambiente. A irracionalidade não.






5 comentários:

  1. entao vai la ajudar na recuperaçao dos reatores pra ver como vc volta.

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  2. O que aconteceu ali foi um acidente com compostos nucleares. Assim como um acidente em uma usina termoelétrica, por mais que, por via de regra, faça menos mal a seres humanos, causará impactos inestimáveis ao meio ambiente.
    O que torna uma tragédia nuclear tão mal-vista é que ela, mais do qualquer outra, afeta diretamente vidas humanas mais do que qualquer outro tipo de tragédia não-natural.

    Como disse a RaizChan acima:
    "A vida humana não é mais valiosa que a das outras espécies, simplesmente é tratada com mais deferência"

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  3. Na verdade, se as pesquisas com dendrímeros estivessem já em nível de aplicação eu voltaria perfeitamente bem (:
    Nesse caso os humanos não foram salvos porque ainda não há solução disponível, os bois no matadouro poderiam sair de lá vivos (alias, nem iriam para lá) se não houvesse demanda de carne.

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  4. Só para consertar um fato que você disse: o elemento químico é chamado radioativo quando emite partículas(alfa ou beta)ou radiações(gama, fóton ou outros tipos) de maneira expontânea, mas isto não que dizer que quando um corpo emite radiação é chamado de radioativo. Exemplo: a lâmpada emite radiação (a luz branca, que é uma radiação, e UV) e não é chamada de radioativa, ou ainda, o corpo humano emite radiação IR e nem por isto as pessoas andam com roupas anti-radiação.
    A radiação produzida nas usinas nucleares é muito energética e ainda atravessa o copo humano como se fosse um papel, por isto é considerada de alta periculosidade.

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  5. Muitíssimo pertinente seu comentário. Na verdade, eu não achei na hora que ficaria ambíguo, mas preferi não explicar melhor porque aí teria de perguntar: porque alguns elementos produzem radiação espontaneamente e outros não? Aí eu teria que diferenciar os elementos, baseados na sua instabilidade, o "excesso" de energia/carga/partículas e explicar cada uma delas. Até pensei em falar nisso, mas achei que seria desinteressante listar cada um e ainda falar dos decaimentos.
    Se quiser, eu coloco uma nota no post e conserto a parte que ficou confusa. Obrigada. (:

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